Domingão, final de campeonato, tudo colaborava para que dormisse até mais tarde, mas, um bater de chave no portão me despertou. É um bater conhecido, são códigos que vamos adquirindo ao longo da nossa vida, e, apesar de ser um código relativamente recente, já está salvo na pasta “my scans” do meu computador, quer dizer, do meu cerebrinho. Tudo bem, era um flamenguista, e imagino que deva ter acordado cedo para aproveitar mais o dia de ser campeão. Acordada, dei por iniciado meu dia, tomei logo as providências devidas para que a tarde estivesse livre para o meu Mengão. Arrumei minha bolsa, o filhote e fui para casa do meu botafoguense favorito: tio Jorge. Sabia que seria pedreira assistir o jogo lá, pois na casa do meu tio não se pode comemorar um bola roubada, o jogo tem que ser assistido em silêncio e temos que concordar que o juiz rouba contra o Botafogo, dá faltas e cartões injustos para os jogadores alvinegros e não entende de futebol o suficiente para apitar uma final. Ok. Mas, me parecia o melhor programa para o domingo: frango, farofa, batata-frita, primos e final de campeonato.
Daí, começou o jogo e um sentimento de mal-estar me sobreveio, recorri às minhas memórias, nenhuma vitória assistida ali naquela sala.
Pelo amor que tenho ao meu Flamengo, tenho que sair daqui!
Tive dúvida. Pedi um sinal de Deus, que todo mundo sabe, é brasileiro, carioca e torce pelo Flamengo. E, então...gol. Na hora. Vocês viram aquilo? Só podia ser o sinal. O goleiro teria que ser muito ruim pra deixar passar uma bola daquelas. Fui! Levantei, pedi pra minha prima olhar o Arthur, e fui para casa, assistir o jogo sozinha. Passei na casa da segunda família mais rubro-negra que conheço, percebi a movimentação de todos buscando o seu lugar nessa corrente que não quebra nunca. Acabou o primeiro tempo. Estava entrando em casa quando começou o segundo, abri a porta, liguei a TV, sentei no sofá e...Gol do Obina!!!! Haha!!! Não disse? Iluminação do astro? Não. Sacrifício do torcedor, do meu, e dos outros que recorreram as suas tradições e superstições para mais uma vez, soltar o grito de campeão. Findo o jogo, voltei para casa do meu tio, meu botafoguense querido, não poderia maltratá-lo ainda mais, mas, levei uma caixa de estalinhos pro Arthur comemorar, afinal, ele é campeão desde a barriga e em terras estranhas, mas, juntinho da mamãe, já está aprendendo que o nosso compromisso é sério: A torcida ganha o jogo. Eu fiz a minha parte!!!

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