sábado, 30 de agosto de 2008

Sempre estar lá e ver voltar...não era mais o mesmo mas estava em seu lugar...


Rádio Pântano era o nome da rádio operada pelos alunos da escola que eu estudei. Funcionava na cobertura do prédio de cultura geral e, era uma rádio eclética, democrática e interativa. Como a escola era basicamente um bosque cercado de prédios por todos os lados, posso dizer que as melhores aulas foram ministradas ao ar livre, no bosque. E isso, de verdade. Enquanto o Collor estava na mira da CPI, e a globo veiculava Anos Rebeldes, nós, alunos da Mauá, tínhamos aulas de história do Brasil no bosque, juntando muitas turmas, em torno de uma professora maravilhosa, que dava um show de aula, mesmo acometida pela terrível doença chamada Mal de Parkinson, que a fazia merecer o apelido de Carmem Treme-Treme. No bosque também tive as melhores aulas de amizade da minha vida. Jamais vou esquecer do bosque, e dos amigos, e do único amigo que até hoje, as vésperas da segunda década de saudade, me escreve cartas manuscritas, o que quase ninguém mais usa. Era um tempo de onde eu via o mundo azul embalada pelas músicas que tocavam na rádio. Foi o tempo da calça Bag, que duvido uma mulher queira vestir algo parecido hoje, e do sucesso “Astronauta de Mármore”, que tocava muito na Pântano, com Nenhum de Nós, ou com todos nós, vivendo intensamente, com a responsabilidade de adultos, mas em plena adolescência. Ganhando nossos primeiros salários, fazendo entrevistas e provas, mas felizes demais. Fui à inauguração do Madureira Shopping. Putz!!! Quem diria que Madureira iria se tornar uma grande feira. Nós fomos muitas vezes ao céu, e voltamos mais puros de lá. Podendo chorar sem medo, sem saber que hoje eu ia lembrar do tempo em que eu via o mundo azul, como um astronauta ou como amiga de muitos tripulantes de naves espaciais. De forma que, quando eu não estava no espaço, estava esperando alguém voltar, sempre diferente, como quem volta do céu cantando que só os tolos temem a noite.

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