Descobri que gosto de calcular perímetros. Dizem que, para um professor, quando um assunto o empolga muito, a probabilidade de que suas aulas sobre isso sejam muito interessantes é bem grande. Mas, que graça pode ter uma aula sobre perímetros? Podemos até criar aquelas historinhas para agradar a equipe pedagógica, tipo de formiguinha percorrendo superfícies, mas é só pra enganar bobo mesmo, porque isso não tem nada de motivante, não provoca desequilíbrio suficiente para fazer o aluno desenvolver estratégias. Ele lê, por vezes desenha e, ao final, faz os cálculos pertinentes. Mas e eu? O que construo determinando perímetros? Percorro diversas formas geométricas, determinando um ponto de partida. Se encontrar muitos trechos sinuosos, utilizo os recursos triviais da álgebra e geometria, monto meus esboços, faço os cálculos e descubro que, no final de tudo, eu tenho um número e a certeza de que voltei para o mesmo lugar. Isso é perímetro, medir em volta, contornar uma figura determinando suas dimensões e voltando para o mesmo lugar. O que faço agora então? Faço o percurso outra vez? Mudo o sentido da caminhada? Sou boa nisso, mas sinto uma tristeza de saber que essa minha habilidade de refazer percursos não vai me levar a lugar algum. Quero sair, e tive uma idéia. Talvez eu tenha que me permitir chorar a saída do caminho escolhido, aceitar a tristeza por uns tempos, e encontrar uma linha poligonal aberta para seguir, com a extremidade solta no ar, para talvez poder cair no abismo distraída, ou mudar o sentido da caminhada no final de um segmento de reta. Talvez, talvez.terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Tive uma idéia...
Descobri que gosto de calcular perímetros. Dizem que, para um professor, quando um assunto o empolga muito, a probabilidade de que suas aulas sobre isso sejam muito interessantes é bem grande. Mas, que graça pode ter uma aula sobre perímetros? Podemos até criar aquelas historinhas para agradar a equipe pedagógica, tipo de formiguinha percorrendo superfícies, mas é só pra enganar bobo mesmo, porque isso não tem nada de motivante, não provoca desequilíbrio suficiente para fazer o aluno desenvolver estratégias. Ele lê, por vezes desenha e, ao final, faz os cálculos pertinentes. Mas e eu? O que construo determinando perímetros? Percorro diversas formas geométricas, determinando um ponto de partida. Se encontrar muitos trechos sinuosos, utilizo os recursos triviais da álgebra e geometria, monto meus esboços, faço os cálculos e descubro que, no final de tudo, eu tenho um número e a certeza de que voltei para o mesmo lugar. Isso é perímetro, medir em volta, contornar uma figura determinando suas dimensões e voltando para o mesmo lugar. O que faço agora então? Faço o percurso outra vez? Mudo o sentido da caminhada? Sou boa nisso, mas sinto uma tristeza de saber que essa minha habilidade de refazer percursos não vai me levar a lugar algum. Quero sair, e tive uma idéia. Talvez eu tenha que me permitir chorar a saída do caminho escolhido, aceitar a tristeza por uns tempos, e encontrar uma linha poligonal aberta para seguir, com a extremidade solta no ar, para talvez poder cair no abismo distraída, ou mudar o sentido da caminhada no final de um segmento de reta. Talvez, talvez.
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Um comentário:
Isso é pensar o conteúdo. Não para agradar as equipes pedagógicas, mas sim para agradar a si mesma a partir da liberdade de criar novas formas e caminhos dentro de si mesma; do próprio conteúdo. E saber pensar o próprio conteúdo é uma habilidade por poucos alcançada com tanta maestria. Adorei!
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