domingo, 14 de setembro de 2008

Beijou o papel devotamente...

Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e, a moça estampava um sorriso. Um suspiro devolvia-lhe o sopro de vida. Como o sopro que precisa ter o soldado ao fim da guerra. As guerras destroem os indivíduos, mesmo aquelas que defendem a mais nobre das causas. Sobreviventes convivem com os ecos das armas, com os gritos dos feridos e com seu corpo marcado. Sorridente, não percebia o colorir da sua face. Seu olhar não podia ser percebido, seus olhos encontravam-se cerrados, e sua mente ganhava, finalmente, distância da sua guerra pessoal. A guerra que acinzentou sua pele, roubou-lhe a vaidade e os sentidos mais apurados da vida. Sentia um acréscimo de estima por si mesma, e, parecia-lhe que entrava, enfim, numa existência superiormente interessante. Onde, cada hora, tinha o seu encanto diferente. Cada passo conduzia à um êxtase, e, a alma se cobria de um luxo radioso de sensações. Meu peito agora dispara, vive em constante alegria. Para ela, não importava quanto tempo havia perdido, importava o tempo que ainda lhe restava e as oportunidades que lhe eram oferecidas. O conquistador, o canalha, percebeu a oportunidade e a seduziu. Ela, percebeu o caminho de volta à vida e seguiu. Ninguém pode tomar um sorriso já estampado. Ela pôde contar pras paredes, coisas do seu coração. Passeou no tempo, caminhou nas horas e se tornou a mais feliz das sobreviventes. Descrição de Luísa, em O Primo Basílio de Eça de Queirós; Marisa Monte e Carlinhos Brown em Amor I Love You; e eu, no meu Blog, agradecendo a inspiração.

Um comentário:

Unknown disse...

Então ...

Aí vai Renato Russo, na voz de Cássia Eller:

"o pra sempre, sempre acaba. E nada vai conseguir mudar o que ficou"

Será?