segunda-feira, 28 de abril de 2008

Reedição do café da vovó...


Existe um mundo onde as pequenas coisas, são grandes e perfeitas, é o mundo das nossas memórias. Para entrarmos nele precisamos estar com pensamentos leves. A felicidade é o login, e a senha, é o estímulo que você mesmo cria, com quantos dígitos quiser, pensando no que você acredita ou quer.
Pequena, guria, acordava para a escola e o café passado no bule perfumava a casa. Em um cabide, penduradinho e passado, eis meu uniforme, com um lenço no bolso e uma fita para prender o cabelo. Me aprontava no ritmo da vovó ouvindo a Rádio Relógio: - São seis horas, dezoito minutos e zero segundos! E, a sabedoria no texto do locutor: - Cada minuto que passa é um milagre que não se repete!
Tomar o café da manhã preparado pela vovó era tudo de bom, parecia ela a própria Cecília Meireles, nos apresentando um “Ou isto ou aquilo”matinal. Nunca tudo ao mesmo tempo, pois ela dizia: - Dias de muito, dias de nada! Mas lembro de ovos quentes, banana frita, aipim na manteiga, biscoito de maisena molhado no café e mingaus de aveia e cremogema...Ai vovó...Quando pronta, saía para escola, chamava minha vizinha, amiga e companheira Elíabe, a Libinha, e íamos andando bem devagar para nossa escola...e assim, foram muitas manhãs perfumadas pelo café da vovó...
Lembranças, boas lembranças, coisas que ajudaram a construir, e ajudam a sedimentar, quem sou...As melhores coisas da vida encontram-se nas nossas pequenas rotinas...nas nossas ações mais comuns...delas, jamais nos esqueceremos, e de vez em quando...seremos transportados para esse mundo maravilhoso, onde o que parece pouco é muito e satisfaz.

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